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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Equilibrio e desenvolvimento




Já se perguntou por que muitos lutadores treinam a metade que você e se desenvolvem muito mais rápido? Esse é um assunto que gira em nossas mentes e que hoje colocaremos em pauta para entendermos melhor como isso realmente funciona, entendo se é ou não é um mito dentro das artes marciais.

Quando nos decidimos a realmente mudar nossas vidas, tanto interno quanto externamente, e decidimos levar a sério nossa saúde e fazer valer a arte de se expressar o corpo humano por meio das artes marciais, geralmente nos arrebentamos nos primeiros meses e anos, depois paramos, desistimos e ficamos cheio de sequelas. Seja por desmotivação, cansaço ou até mesmo falta de tempo, é grande o número de lutadores que desistem dos treinos.

Isso acontece por diversos motivos, porém, existe um que representa um fator muito simples, mas que se colocamos consciência no que queremos chegamos a ótimos resultados e garantimos o impulso de nunca se perder neste caminho.


Desgaste

O desgaste possui várias nuanças, faces e níveis. Temos o desgaste psicológico (proveniente do stress do dia-a-dia), desgaste físico (mau uso do corpo e exagero nos treinos) e o desgaste emocional (maus sentimentos).

Nosso corpo necessita de descanso, e se é sobrecarregado demasiadamente não consegue o ganho que tanto esperamos e acaba sofrendo o inverso, atrofiando nossa musculatura e exaurindo nossa vitalidade.

Nunca treine até passar mal. O que os professores dizem ‘quando está morrendo ainda tem X%’ etc é algo muito mau interpretado. Realmente quando estamos esgotados ainda temos muito para dar, porém, só devemos chegar a tal ponto se for um caso de vida ou morte.

É inútil destruir seu corpo, consumir toda sua reserva de nutrientes e esgota-lo em um treino. Isso não leva a nada, apenas ao desgaste. Essa afirmação veio apenas para mostrar aos grandes guerreiros que no calor da batalha não devemos baixar guarda, devemos sempre nos manter de pé, porém, isso não se aplica a um treino.

Essa batalha incansável deve ser travada psicologicamente contra nossos defeitos, nossos maus costumes e nossos vícios. Devemos batalhar até as ultimas consequências contra a preguiça, a ira, a gula, as drogas, etc. pois estes sim são os grandes causadores do desgaste psicológico.


Treinando para nós mesmos

Um lutador não deve treinar para mostrar aos amigos, mostrar a outras pessoas ou se vangloriar. Um lutador deve treinar para si, pois quando treina para outros está alimentando seu ego, seus defeitos. 

Devemos lutar contra isso pois isso atrapalha não só nosso desempenho como nosso autocontrole, nossas relações e nossa vida.

Treine para si, lute contra seus defeitos e estará se  livrando do desgaste psicológico. Logo com uma mente longe de maus pensamentos, teremos um sentimento mais tranquilo e equilibrado evitando o desgaste emocional. Caminhadas em parques, contatos com a natureza e treinos ao ar livre ajudam nosso corpo e mente, pois nestes locais temos um ar mais puro (longe de substâncias nocivas), um ambiente mais limpo e uma particularidade em nosso treino. Treine para si mesmo e medite sempre que possível, pois a meditação é o pão diário do sábio.


O metabolismo não para

Conforme citado no último post, nosso metabolismo não pode ser desgastado, deve permanecer no mesmo estágio o tempo todo. Fazer pequenos exercícios sem nos desgastar durante todo o dia garante maior circulação de sangue, oxigenação e condicionamos nosso corpo a manter um ritmo forte e quente. Se assim o fazemos, a longo prazo até mesmo sentados em uma cadeira lendo um livro, ou em um bosque fazendo respirações profundas estaremos eliminando gordura ou tonificando nossos músculos de forma natural.

A maioria dos lutadores que possuem maior desempenho do que pessoas que se esgotam é porque respeitam o equilibro. Respeitar o equilíbrio é permitir o ‘ganho’, pois apenas quando a musculatura esta em repouso que este ganho é possível.

Seja qual for a técnica que esteja utilizando, pratique-a sempre que possível, diversas vezes ao dia. Uma ida ao banheiro pode se transformar em alguns agachamentos e respirações profundas, ou até mesmo alguns socos ou chutes antes do almoço podem garantir melhor desempenho no treinamento semanal.


Coloque consciência

Ao andar na rua tenha consciência de que está tonificando seus músculos. Ao pegar um garrafão de água tenha consciência de que seus bíceps estão se dilatando. Faça isso, coloque consciência e verá que tudo é um treinamento. Ter consciência do que se faz traz inúmeros resultados, tenha plena certeza disso.

Nas próximas postagens vamos adentrar em técnicas mais apuradas e específicas sobre agilidade, não perca. Lembre-se, contamos com sua participação para melhor produção de um material que você realmente possa considerar útil. Ao final, descarte o que for inútil para você, pois apenas nossa consciência é capaz de compreender o que realmente é bom para nossa vida.
Forte Abraço!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Separando a arte do título




Cerveja na geladeira, amigos reunidos esperando o futebol, um pula-pula de canais e de repente aparece dois personagens de kimono na televisão em uma eliminatória de karate, eis que alguém diz ‘olha um campeonato de arte marcial’. Ledo engano.

Sim caros amigos, vai doer o que vou dizer, mas não existe ‘campeonato de artes marciais’ passando na TV, e muito menos no ginásio de esportes da sua cidade e anos luz de distância das academias de ‘luta’. Isso não é uma falta de respeito ou uma afronta, há que se entender o que iremos dizer.

Um esporte não é uma Arte Marcial. A Arte Marcial é uma essência latente expressada no sangue guerreiro do ser humano, adaptando uma cultura a algo natural de nossa espécie (estudaremos futuramente o termo ‘arte’ e sua expressão como domínio de um dom).

Campeonatos e eliminatórias de lutas olímpicas são sim, maravilhosos e devem ser valorizados e respeitados, porém, não confundamos a extensa busca de títulos esportivos com o espírito de um verdadeiro lutador.

Ok, você é um entendedor de Artes Marciais e diz que eu estou errado. Pois bem, lembremos do ano 2000, onde o lendário Taekwon-do tornou-se oficialmente um esporte olímpico. Se você treinava nessa época sabe que muitos professores esperavam ansiosos para que esse momento chegasse, e, infelizmente, muitos abandonaram a Arte Marcial quando viram no que ela se transformou “um sistema vendido e fraco”. Hoje, qualquer pessoa frágil e fraca pode se graduar na arte em até três anos, tornando-se um faixa preta, e ainda mais, professor do estilo. A essência foi-se embora junto com professores ilustres como o grande Mestre Marcos de Goiás. É claro, existem muitos artistas marciais no taekwon-do e magníficos professores, porém, a banalização do mesmo o derrubou.

E essa popularização errônea das Artes Marciais já estão corrompendo outros esportes, como o Jiu Jitsu, onde lutadores de MMA pegam facilmente graduação preta do estilo sem ter um único mérito na arte marcial (que é um requisito predominante para garantir graduações elevadas).

Ser graduado em uma Arte Marcial vai além de amarrar uma faixa preta na cintura e dar chutes altos. É uma responsabilidade que vai do caráter físico ao segmento intelectual do lutador, transformando homens e mulheres em verdadeiros sábios. Então caros leitores, não vamos confundir esses dois mundos (esporte e Artes Marciais), há que se separar muito bem estes dois opostos.


Quero ser um praticante de Artes Marciais

Quer mesmo? Ótimo. Primeiro passo: esqueça campeonatos. Isso mesmo, um praticante de artes marciais não deve treinar para querer superar outros senão a si mesmo. Segundo: esqueça apresentações. A maior afronta a uma Arte Marcial é uma apresentação pública, lembre-se que você deve treinar para si mesmo, e não pra mostrar para os outros (você poderá testar sua técnica e sua força, mas discutiremos isso futuramente, agora, você esta no começo).

Busque uma academia (se preferir) e busque um professor sério. A Arte Marcial esta em nós, e não em federações ou diplomas. Mas lembre-se, um lutador vive, pensa, come, dorme e acorda, visando seu aprimoramento marcial, então tenha certeza que seu desempenho esta ligado muito mais com seus treinos solitários do que com sua estadia na academia.

Não seja um lutador de finais de semana, nem um lutador bêbado. Lutadores não mostram suas habilidades bêbados entre amigos e também não treinam só no final de semana. O grande mestre Bruce Lee dizia que um lutador deve ‘dar preferência para escadas ao invés de elevadores e estacionar seu carro quadras de distância do seu trabalho, pois assim terá a chance de pelo menos simular uma tonificação dos músculos de sua perna enquanto perde seu tempo com coisas vãs’. Resumindo: faça isso e não perca seu tempo.


Valorizando a tabela

 
Um lutador também é um cientista, logo, ele mapeia seus resultados. Faça tabelas. Independente do seu estilo de luta crie sua tabela de treino e estabeleça metas. E é lógico: cumpra com essa tabela.

Tabelar é uma boa forma de alcançar objetivos, e o fator psicológico conta e muito no treinamento. Se você sai para comprar pão a pé com o intuito de treinar as pernas, coloque consciência e faça, tenha certeza que você terá bons resultados.


Cuide do seu espírito
 Isso mesmo. Independente da religião, um verdadeiro lutador valoriza sua parte interna (ou seu espectro em outra dimensão, coloquei dessa forma pra ficar mais simples de entender). Faça isso, busque aprofundar no seu segmento religioso, e, se possível (e sua religião permitir) medite. Isso mesmo, pratique a meditação, pois um lutador que não medita tem a mente fraca e pouca consciência, e lutadores não são instintivos, são conscientes de seus atos.

Se seu esporte não valoriza a parte interna, saia dele, evite violência gratuita. Analise o comportamento de seu professor, veja se ele tem uma postura reta, é um bom cidadão. Quem não é uma boa pessoa não é um bom lutador.

Essa foi nossa primeira etapa, nas próximas postagens vamos mais a fundo do
nosso corpo, a metodologia de treino e os pontos fortes de todas as artes
marciais, pois não existe a melhor arte, e sim os melhores lutadores. Forte
abraço.