sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Equilibrio e desenvolvimento




Já se perguntou por que muitos lutadores treinam a metade que você e se desenvolvem muito mais rápido? Esse é um assunto que gira em nossas mentes e que hoje colocaremos em pauta para entendermos melhor como isso realmente funciona, entendo se é ou não é um mito dentro das artes marciais.

Quando nos decidimos a realmente mudar nossas vidas, tanto interno quanto externamente, e decidimos levar a sério nossa saúde e fazer valer a arte de se expressar o corpo humano por meio das artes marciais, geralmente nos arrebentamos nos primeiros meses e anos, depois paramos, desistimos e ficamos cheio de sequelas. Seja por desmotivação, cansaço ou até mesmo falta de tempo, é grande o número de lutadores que desistem dos treinos.

Isso acontece por diversos motivos, porém, existe um que representa um fator muito simples, mas que se colocamos consciência no que queremos chegamos a ótimos resultados e garantimos o impulso de nunca se perder neste caminho.


Desgaste

O desgaste possui várias nuanças, faces e níveis. Temos o desgaste psicológico (proveniente do stress do dia-a-dia), desgaste físico (mau uso do corpo e exagero nos treinos) e o desgaste emocional (maus sentimentos).

Nosso corpo necessita de descanso, e se é sobrecarregado demasiadamente não consegue o ganho que tanto esperamos e acaba sofrendo o inverso, atrofiando nossa musculatura e exaurindo nossa vitalidade.

Nunca treine até passar mal. O que os professores dizem ‘quando está morrendo ainda tem X%’ etc é algo muito mau interpretado. Realmente quando estamos esgotados ainda temos muito para dar, porém, só devemos chegar a tal ponto se for um caso de vida ou morte.

É inútil destruir seu corpo, consumir toda sua reserva de nutrientes e esgota-lo em um treino. Isso não leva a nada, apenas ao desgaste. Essa afirmação veio apenas para mostrar aos grandes guerreiros que no calor da batalha não devemos baixar guarda, devemos sempre nos manter de pé, porém, isso não se aplica a um treino.

Essa batalha incansável deve ser travada psicologicamente contra nossos defeitos, nossos maus costumes e nossos vícios. Devemos batalhar até as ultimas consequências contra a preguiça, a ira, a gula, as drogas, etc. pois estes sim são os grandes causadores do desgaste psicológico.


Treinando para nós mesmos

Um lutador não deve treinar para mostrar aos amigos, mostrar a outras pessoas ou se vangloriar. Um lutador deve treinar para si, pois quando treina para outros está alimentando seu ego, seus defeitos. 

Devemos lutar contra isso pois isso atrapalha não só nosso desempenho como nosso autocontrole, nossas relações e nossa vida.

Treine para si, lute contra seus defeitos e estará se  livrando do desgaste psicológico. Logo com uma mente longe de maus pensamentos, teremos um sentimento mais tranquilo e equilibrado evitando o desgaste emocional. Caminhadas em parques, contatos com a natureza e treinos ao ar livre ajudam nosso corpo e mente, pois nestes locais temos um ar mais puro (longe de substâncias nocivas), um ambiente mais limpo e uma particularidade em nosso treino. Treine para si mesmo e medite sempre que possível, pois a meditação é o pão diário do sábio.


O metabolismo não para

Conforme citado no último post, nosso metabolismo não pode ser desgastado, deve permanecer no mesmo estágio o tempo todo. Fazer pequenos exercícios sem nos desgastar durante todo o dia garante maior circulação de sangue, oxigenação e condicionamos nosso corpo a manter um ritmo forte e quente. Se assim o fazemos, a longo prazo até mesmo sentados em uma cadeira lendo um livro, ou em um bosque fazendo respirações profundas estaremos eliminando gordura ou tonificando nossos músculos de forma natural.

A maioria dos lutadores que possuem maior desempenho do que pessoas que se esgotam é porque respeitam o equilibro. Respeitar o equilíbrio é permitir o ‘ganho’, pois apenas quando a musculatura esta em repouso que este ganho é possível.

Seja qual for a técnica que esteja utilizando, pratique-a sempre que possível, diversas vezes ao dia. Uma ida ao banheiro pode se transformar em alguns agachamentos e respirações profundas, ou até mesmo alguns socos ou chutes antes do almoço podem garantir melhor desempenho no treinamento semanal.


Coloque consciência

Ao andar na rua tenha consciência de que está tonificando seus músculos. Ao pegar um garrafão de água tenha consciência de que seus bíceps estão se dilatando. Faça isso, coloque consciência e verá que tudo é um treinamento. Ter consciência do que se faz traz inúmeros resultados, tenha plena certeza disso.

Nas próximas postagens vamos adentrar em técnicas mais apuradas e específicas sobre agilidade, não perca. Lembre-se, contamos com sua participação para melhor produção de um material que você realmente possa considerar útil. Ao final, descarte o que for inútil para você, pois apenas nossa consciência é capaz de compreender o que realmente é bom para nossa vida.
Forte Abraço!

Flexão de Braço



A flexão é utilizada em todas as lutas, esportes e treinos. Sua aplicação não possui limites e seus benefícios são vastos.

Seguindo como base nossa última postagem sobre Makiwara, vamos ver uma abordagem um pouco mais interessante dessa flexão, valorizando o “Calejamento”.

Inicialmente devemos entender que a flexão convencional ajuda não só o peitoral, como parte posterior dos ombros, anterior do antebraço e tríceps, além de melhorar o condicionamento físico e poder de impacto dos golpes. Veja na figura as partes (em vermelho) trabalhadas em uma flexão:




Partindo deste princípio podemos dizer que a flexão (ou apoio) é uma ferramenta essencial para um lutador, já que o trícepes é responsável por um ótimo soco, e o peito para bons ganchos (uppercut).

Para melhorar a resistência, força e auxiliar o calejamento, vai uma dica “faça de mãos fechadas”. Isso mesmo, faça a flexão com as mãos fechadas, posicionadas da forma que você soca. Assim estará fortalecendo suas falanges, ajudando nas microfraturas (ampliando força e resistência da estrutura óssea) e aliviando o pulso, já que dessa forma ele fica reto, não necessitando se dobrar como no exercício convencional.


O mais importante

Além de praticar, o mais importante é ‘praticar o dia todo’. Faça seu corpo se acostumar com os exercícios. Na escola ou no trabalho, dê um jeito de dar uma pequena escapulida e no decorrer do dia faça séries de 10 a 15 flexões, divididas em vários horários do dia. Assim, seu corpo será condicionado a trabalhar, e logo estará consumindo gordura com você até mesmo sentado realizando respirações profundas (falaremos sobre isso separadamente nas próximas postagens) ou aumentando sua massa naturalmente.

Se você é ‘casca grossa’ no assunto, alterne impulsionando o corpo quando subir na flexão, para assim ter mais impacto no calejamento. No treino de mãos fechadas dê preferência para terrenos naturais, como terra ou grama, evitando fraturas e luxações.


Não consigo fazer

Esse é um problema bastante comum e possui diversos pontos a serem analisados. Primeiro, devemos buscar qual a causa que não nos permite realizar uma série de dez flexões, sendo possivelmente: excesso de peso, falta de prática, problema nas articulações ou falta de força.

- Excesso de peso: nesse caso valorize exercícios aeróbicos e ‘não force’ se não conseguir. Tentar realizar uma flexão sem estar acostumado pode ferir seu corpo, e assim seu treinamento estará indo água abaixo.

- Falta de prática: uma caminhada de mil léguas inicia com o primeiro passo, então nada de correr demais. Não se desespere e inicie seu treinamento, pois se ficar esperando ‘o dia para começar’ nunca o fará. Não é vergonha a ninguém não conseguir fazer uma flexão, até porque ninguém nasce sabendo, e ninguém é obrigado a ter essa prática, até porque vivemos em uma era digital sem necessidade de usar muita força física, isso é normal.

- Problema nas articulações: caracterizada por dores nas juntas ou tendões. Neste caso vá ao médico.

- Falta de força: valorize a alimentação e intensifique os treinos, a força é ganhada gradativamente e com o tempo, vá com calma.

Não consegue fazer as flexões? Então não destrua seu corpo e preste atenção na dica. Durante a primeira semana de treino não faça a flexão. Fique na posição de flexão apenas, e mantenha a estrutura, se equilibrando pelo tempo que conseguir. Isso mesmo, faça isso diversas vezes ao dia, todos os dias. Com o tempo seu corpo vai se transformar e mudar a estrutura metabólica básica para suprir a nova atividade que você está impondo a ele. Na próxima semana faça uma flexão e mantenha-se equilibrado. Vá adicionando mais repetições no decorrer das semanas e verá que em pouco mais de um mês estará fazendo tranquilamente suas séries de dez flexões.

É isso aí. Qualquer dúvida estamos à disposição, e lembre-se: sua sugestão é importante para nosso blog. Obrigado pela participação e um forte abraço.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Makiwara


Muito se discute sobre o calejamento nas artes marciais. Uns instruem que é algo positivo, outros algo negativo, porém aqui iremos estudar algo simples e prático que pode ser realizado em casa para o fortalecimento do corpo.

Sabemos que o osso quando está sob tensão tende a se desenvolver, aumentando sua resistência graças a microfraturas  que geram diversos calos ósseos, e assim, vão calcificando e aumentando sua força.

O calejamento não deve ser realizado com o intuito de ferir as pessoas, isso não é arte marcial, isso não é espírito de lutador. O calejamento serve para fortalecer o corpo, dominar os instintos e entender nosso corpo. Vamos então aprender como se fazer uma makiwara.


Como fazer

Conforme vemos no desenho a makiwara é enterrada no chão, logo, precisará de um local específico com espaço suficiente para aplicar golpes. Dê preferência para locais de terra, para melhor integração com a natureza, mobilidade e facilidade nos movimentos, já que a terra não priva a rotação do joelho (como acontece no concreto e piso) permitindo pequenos deslizes de rotação ao aplicar chutes e assim não tencionando os músculos e tendões.

Pegue uma vigota (o tamanho fica a seu critério, mas que tenha no mínio um metro e meio) e finque no chão de 500cm a 1m. Para fortalecer sua estrutura pode-se acrescentar madeiras opostas à base, evitando o movimento, mas nesse caso a viga deve ser maior pois é necessário que a madeira se mova pelo menos um pouco para que ao golpea-la o lutador não pressione demais o pulso ou joelho evitando lesões.

Depois de fincada, amarre uma corda de sisal em toda a estrutura que pretende golpear (como na parte superior do desenho). A corda ajuda no calejamento, anula as quinas da madeira e garante amortecimento ao golpe.

Lembre-se que para treinar socos a makiwara deve ter no mínimo a altura do seu ombro.


Como treinar

Não ‘enfie a mão’ na makiwara. Isso irá destruir seus ossos carpais (região do pulso) com o passar do tempo. Tome uma distância que os golpes (seja socos ou chutes) não sejam nem muito longe e nem muito pertos do alvo. O braço ou perna não podem ficar totalmente estendidos ao golpea-la, isso pode danificar seu corpo, e também não podem estar muito próximos limitando os movimentos.

Aplique os golpes com uma base firme sem muita força pois tudo deve ser gradativo. Comece apenas fixando mãos e pernas no alvo e deixando o peso atuar sobre eles. Vá com calma, e no decorrer de um mês aplique golpes leves para que sua estrutura aprenda a lidar com a resistência. Mesmo que você tenha força para arrancar uma parede soque devagar, porque não adiantará nada ter força com ossos, pulsos e tendões destruídos.

Aproveite e golpeie com a lateral dos braços, canela (evite muita força pois pode gerar problemas sérios como câncer na tíbia, muito comum em lutadores que esfregam cabo de vassoura nas canelas) e ponta dedos.

Antes e depois de qualquer exercício faça alongamentos e lembre-se: sempre medite após os exercícios. Trabalhar o interior é essencial para quem busca o verdadeiro caminho das artes marciais. Substitua o tempo de desgaste do treino por meditação, isso irá ajudar e muito no seu desenvolvimento como lutador e ser humano. O corpo não deve ficar esgotado, isso desequilibra a sua harmonia. Treine o suficiente para não ficar muito cansado e medite o máximo que puder.

Dúvidas sobre treino e ações específicas, entrem em contato pelo email renato_jornalista@yahoo.com.br ou deixe seu comentário no post. Dicas, críticas e sugestões são sempre bem vindas, afinal de contas estamos aqui para aprender juntos.

Um forte abraço!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Resistência




Resistir. Será que já paramos para pensar o que este conceito realmente significa? Segundo o dicionário da língua portuguesa:

resistência (re-sis-tên-cia)
s. f.
Qualidade de um corpo que reage contra a ação de outro corpo.
Aptidão para suportar a fadiga, a fome, o esforço: soldados que têm resistência.
Defesa contra um ataque: opor forte resistência a assaltantes.
Oposição, reação, recusa de submissão à vontade de outrem: obedecer sem resistência.
Força que se opõe ao movimento; inércia.

Com uma descrição bastante rica, a resistência é um conceito que muito se discute e debate, e sua aplicação muitas vezes se resume em treinamento de explosão. Na arte marcial pode não ser bem assim.
Trabalhar resistência (conforme vimos até mesmo no dicionário) vai além do condicionamento físico. Além de ‘claro’, ser um conceito sobre força, suportar necessidades e superar esforços, a resistência é uma defesa, ou até mesmo uma reação, uma força que se opõe a um movimento. Dessa forma, iremos estudar alguns aspectos em que a ‘resistência’ se faz presente:

Gravitacional: um lutador necessita ter controle sobre seu próprio peso. Por mais que ele seja pesado, ou até mesmo leve, deve exercer uma ‘resistência’ a esta lei, controlando totalmente o peso de seu corpo. Você pode sim, ter 150kg de massa, porém, se quer ser um bom lutador deve conseguir controlar seu corpo e peso, ou seja, deve resistir as leis que se aplicam contra ele. Do que adianta ter muita massa se você não se movimenta perfeitamente? Ou do que adianta ser rápido se não consegue ter um golpe pesado? Medite sobre isso.

Biológica: diversos são os lutadores que treinam e treinam, e quando viajam para outro local seu intestino não funciona bem, sua alimentação desestabiliza, seu fôlego não corresponde ao treino, etc. É de extrema importância que o lutador tenha uma resistência biológica, sendo imune a problemas de alimentação, espaço, temperatura e necessidade fisiológica. Por mais que seu corpo não seja mutável, você deve buscar formas de suprir suas necessidades. Em diversos torneios de karate, por exemplo, rolos de papel higiênico são vendidos cada um por preços exorbitantes, de cinco até dez reais. Sabe por que? Porque o nervosismo desestabiliza o intestino, logo, a tensão se transforma em uma arma contra o lutador, pois intestino abalado é corpo abalado.

Estrutural: um lutador deve estar preparado não só para receber, como aplicar golpes. Quantas vezes vemos casos de boxeadores que ao lutarem sem luvas fraturam a mão? Um lutador deve ser capaz de aplicar os próprios golpes sem a necessidade de equipamentos. Um grande mestre me dizia ‘tens força para furar uma parede com o soco, porém, não tem condições de resistir a estrutura da parede’.

Dica
Seguem agora dicas gerais para que você, independente da arte parcial que pratica, tenha sucesso nos treinos:

Alimentação: valorize sempre uma alimentação rica em fibras, pois elas ajudam seu intestino a trabalhar bem. Supra sempre suas reservas de minerais, busque alimentos com potássio (para evitar câimbra), tome chá verde sempre que possível, ande descalço (para entrar em equilíbrio com o elemento terra) e adicione mel em sua alimentação. Ao acordar, tome bastante água fria, pois ela ajuda na definição do abdômen e limpa o intestino. Sempre que possível, coma maçã pela manhã ou coma uma laranja (com bagaço).
Física: busque exercícios que façam você sair do chão, como saltos, corridas e barra. Se possível, amarre uma corda e suba nela pelo menos uma vez por dia, ela irá ajudar a estender suas juntas evitando a retenção de ácido úrico que causa cistos e inflamações nos tendões. Sempre que possível, treine em  uma Makiwara, porém, se nunca treinou, busque orientação de um mestre.

Na próxima postagem, falaremos de forma mais abrangente sobre calejamento e formas menos agressivas de se praticar em uma Makiwara. Não perca a próxima postagem, vamos aprender a fazer uma e saber como se alimentar para treinar calejamento.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

FORÇA



Primeiramente gostaria de agradecer às críticas e sugestões sobre o blog, realmente agradeço o apoio dos leitores. Peço desculpas pela demora em postar material, tive que mudar de Estado (indo de Goiás para Mato Grosso) e só agora consegui me instalar. Agora, vamos ao que interessa, vamos às artes marciais.


A filosofia

Ter força não é ser maior, ser melhor. A força é o resultado de uma condição de vida, treino, alimentação e consciência. Levantar quilos e mais quilos não servem para nada. A menos que seu trabalho seja adorar seu próprio corpo no espelho, levantamento de halteres, para um lutador, não é nada sem um foco específico de resultados.
Focar é visualizar o que realmente é bom para nossa vida e dedicar tempo e consciência para sua prática.
A força é necessária ao resistir uma maledicência, a desferir um golpe, a suportar o peso, a sobreviver a acidentes. Força. Pense em força, medite em força, só depois, vá para a prática. Ao treinar, esteja com mente e coração focados no resultado que buscas, e sempre que possível se pergunte: por que quero força? Em que posso ajudar meus semelhantes aumentando minha força? Faça uma reflexão e lembre-se, nossa verdadeira luta é contra os defeitos psicológicos que nos tornam inumanos, não contra outros humanos.


A prática

Por mais que exista a técnica perfeitamente apurada em todas as suas nuanças, é preciso de um corpo capaz de aplica-la. De fato, não adianta ter uma arma sem saber usa-la e, na prática, técnica sem força não funciona.
Sim amigos, força, vamos falar de força especificamente. Por mais que a técnica seja a chave, precisamos ter uma porta para abri-la, e tal porta é o nosso corpo físico. A nível de exemplo, conto aos leitores que certa vez, em uma luta decisiva, um lutador bastante rápido aplicava diversos golpes em seu oponente que já mal se parava em pé. O lutador que recebia os golpes possuía bastante resistência (outro tema que iremos abordar nas próximas postagens), uma guarda dura e não caia. Simplesmente não caia com os golpes deferidos.  O hábil lutador já exausto,  viu-se acuado, sem chance de se defender pois não conseguia penetrar a defesa. O resultado foi uma luta empatada, pois um não tinha técnica para atacar, e o outro não tinha força suficiente para derrubar.
Coloquemos consciência neste caso. Por mais que exista uma grande técnica, uma boa defesa não pode ser penetrada sem a força. Não adianta. Faça o teste. Não acredite em nada que leia aqui, tome suas próprias conclusões e decisões vivenciando na prática.
E como seria essa vivência? Não, não é na luta. Evite lutar. Por mais que isso pareça algo ilógico, lutar não é o caminho para se testar uma técnica, e muito menos um caminho ‘saudável’ para sua vida. Mas treine. Use um saco para socos (saco de pancadas) ou treine com um companheiro. Ao lutar com um companheiro de treino vocês irão se respeitar e ninguém sairá muito machucado. Aplique estes golpes e veja por si só se um de seus socos pode derrubar uma defesa.
Para reverter essa situação, vai algumas dicas para treinamento de força, dessa vez, vamos potencializar os socos.

- Flexão de braço: faça no mínimo 100 por dia, alterando de dez em dez, no decorrer da manhã, tarde e noite. Com isso seu corpo irá se acostumar a fazer o exercício, pois em diversas horas do dia fará flexões. Assim seu metabolismo acelera, seu corpo se acostuma com o ganho de massa e, mesmo que suave, irá absorver gordura e criar músculos de forma natural. Além do mais, a flexão ajuda no tríceps, ombro e peitoral, músculos essenciais para um ótimo soco.

- Concentração: coloque consciência no seu treino. Mentalize sempre seu objetivo. Sempre que possível, faça pequenas meditações, sentado, de olhos fechados, e visualize seu soco. Imagine você, socando, visto por diversos ângulos. Busque concertar sua posição, sua base e analise-se, pois é de extrema importância trabalhar a autocrítica.

- Tensão: pegue um elástico ou garrote, faça uma base para segurar (pode ser uma madeira ou um pano, o importante é conseguir segurar), amarre-o em um ponto fixo e simule um soco. A ideia deste exercício é malhar seu soco, criando um ponto de resistência, garantindo assim esforço para desferir o golpe. Assim, irá acostumar seu ombro a socar com tensão e, ao longo do tempo, seu soco livre terá mais potência.

Na próxima edição iremos falar sobore este ganho de massa e eliminação de gordura consciente, que, na prática, os leitores irão ver que até sentado em uma cadeira lendo essa postagem, é possível ganhar músculos. Críticas, sugestões e dúvidas fiquem a vontade para comentar. Deixe seu email poara contato, assim aprenderemos juntos.Um forte abraço.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Separando a arte do título




Cerveja na geladeira, amigos reunidos esperando o futebol, um pula-pula de canais e de repente aparece dois personagens de kimono na televisão em uma eliminatória de karate, eis que alguém diz ‘olha um campeonato de arte marcial’. Ledo engano.

Sim caros amigos, vai doer o que vou dizer, mas não existe ‘campeonato de artes marciais’ passando na TV, e muito menos no ginásio de esportes da sua cidade e anos luz de distância das academias de ‘luta’. Isso não é uma falta de respeito ou uma afronta, há que se entender o que iremos dizer.

Um esporte não é uma Arte Marcial. A Arte Marcial é uma essência latente expressada no sangue guerreiro do ser humano, adaptando uma cultura a algo natural de nossa espécie (estudaremos futuramente o termo ‘arte’ e sua expressão como domínio de um dom).

Campeonatos e eliminatórias de lutas olímpicas são sim, maravilhosos e devem ser valorizados e respeitados, porém, não confundamos a extensa busca de títulos esportivos com o espírito de um verdadeiro lutador.

Ok, você é um entendedor de Artes Marciais e diz que eu estou errado. Pois bem, lembremos do ano 2000, onde o lendário Taekwon-do tornou-se oficialmente um esporte olímpico. Se você treinava nessa época sabe que muitos professores esperavam ansiosos para que esse momento chegasse, e, infelizmente, muitos abandonaram a Arte Marcial quando viram no que ela se transformou “um sistema vendido e fraco”. Hoje, qualquer pessoa frágil e fraca pode se graduar na arte em até três anos, tornando-se um faixa preta, e ainda mais, professor do estilo. A essência foi-se embora junto com professores ilustres como o grande Mestre Marcos de Goiás. É claro, existem muitos artistas marciais no taekwon-do e magníficos professores, porém, a banalização do mesmo o derrubou.

E essa popularização errônea das Artes Marciais já estão corrompendo outros esportes, como o Jiu Jitsu, onde lutadores de MMA pegam facilmente graduação preta do estilo sem ter um único mérito na arte marcial (que é um requisito predominante para garantir graduações elevadas).

Ser graduado em uma Arte Marcial vai além de amarrar uma faixa preta na cintura e dar chutes altos. É uma responsabilidade que vai do caráter físico ao segmento intelectual do lutador, transformando homens e mulheres em verdadeiros sábios. Então caros leitores, não vamos confundir esses dois mundos (esporte e Artes Marciais), há que se separar muito bem estes dois opostos.


Quero ser um praticante de Artes Marciais

Quer mesmo? Ótimo. Primeiro passo: esqueça campeonatos. Isso mesmo, um praticante de artes marciais não deve treinar para querer superar outros senão a si mesmo. Segundo: esqueça apresentações. A maior afronta a uma Arte Marcial é uma apresentação pública, lembre-se que você deve treinar para si mesmo, e não pra mostrar para os outros (você poderá testar sua técnica e sua força, mas discutiremos isso futuramente, agora, você esta no começo).

Busque uma academia (se preferir) e busque um professor sério. A Arte Marcial esta em nós, e não em federações ou diplomas. Mas lembre-se, um lutador vive, pensa, come, dorme e acorda, visando seu aprimoramento marcial, então tenha certeza que seu desempenho esta ligado muito mais com seus treinos solitários do que com sua estadia na academia.

Não seja um lutador de finais de semana, nem um lutador bêbado. Lutadores não mostram suas habilidades bêbados entre amigos e também não treinam só no final de semana. O grande mestre Bruce Lee dizia que um lutador deve ‘dar preferência para escadas ao invés de elevadores e estacionar seu carro quadras de distância do seu trabalho, pois assim terá a chance de pelo menos simular uma tonificação dos músculos de sua perna enquanto perde seu tempo com coisas vãs’. Resumindo: faça isso e não perca seu tempo.


Valorizando a tabela

 
Um lutador também é um cientista, logo, ele mapeia seus resultados. Faça tabelas. Independente do seu estilo de luta crie sua tabela de treino e estabeleça metas. E é lógico: cumpra com essa tabela.

Tabelar é uma boa forma de alcançar objetivos, e o fator psicológico conta e muito no treinamento. Se você sai para comprar pão a pé com o intuito de treinar as pernas, coloque consciência e faça, tenha certeza que você terá bons resultados.


Cuide do seu espírito
 Isso mesmo. Independente da religião, um verdadeiro lutador valoriza sua parte interna (ou seu espectro em outra dimensão, coloquei dessa forma pra ficar mais simples de entender). Faça isso, busque aprofundar no seu segmento religioso, e, se possível (e sua religião permitir) medite. Isso mesmo, pratique a meditação, pois um lutador que não medita tem a mente fraca e pouca consciência, e lutadores não são instintivos, são conscientes de seus atos.

Se seu esporte não valoriza a parte interna, saia dele, evite violência gratuita. Analise o comportamento de seu professor, veja se ele tem uma postura reta, é um bom cidadão. Quem não é uma boa pessoa não é um bom lutador.

Essa foi nossa primeira etapa, nas próximas postagens vamos mais a fundo do
nosso corpo, a metodologia de treino e os pontos fortes de todas as artes
marciais, pois não existe a melhor arte, e sim os melhores lutadores. Forte
abraço.